Archive for the ‘Crucificação de Jesus’ Category

O que é crucificação?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

A crucificação é um método antigo de execução adotado pelos Romanos quase exclusivamente para deter os atos criminais realizados por cidadãos não-romanos do império. As crucificações eram realizadas em ruas movimentadas, particularmente em rodovias que levavam aos centros da cidade. Os Romanos esperavam que o maior número possível de pessoas visse aqueles que estavam sendo crucificados e reconsiderassem os atos contra as leis das províncias Romanas.

Um exemplo de uma vitima crucificada do primeiro século demonstra que os pés do crucificado eram pelo menos algumas vezes pregados pelos lados nos ossos do calcanhar e que os eram possivelmente pregados juntos comentaristas atuais sentem que os pés pregados lado a lado eram uma prática mais comum. Pregando os pés de cima para baixo fazia com que os pés rasgassem, provendo pouco apoio para a vitima, acelerando assim a morte do acusado – algo que os Romanos procuravam evitar. As mãos eram mais comumente pregadas, embora a arte Cristã demonstre que os pulsos dos crucificados fossem amarrados, a única prática documentada é a de pregar os pulsos. Os romanos usavam cravos nas mãos e pulsos das pessoas para que ficassem presas por um período maior de tempo e para evitar o sangramento excessivo. Se a vitima fosse sangrar muito, o propósito da crucificação – executar o indivíduo da maneira mais dolorosa possível em público – seria cancelada.

A crucificação de Jesus também difere em uma outra maneira muito importante dos eventos retratados por nossos artistas modernos. Os indivíduos sendo crucificados eram colocados nus para serem humilhados o máximo possível. Não temos quaisquer evidências de que os Romanos fizeram uma concessão aos Judeus para acomodar a proibição judaica contra a nudez.

O que é a Via Dolorosa?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Muitos visitantes da Antiga Cidade de Jerusalém aproveitam a oportunidade para caminhar em um caminho de pedestres cheio de gente que está escrito em Aramaico, Inglês e Hebreu “Via Dolorosa”. O nome em latim significa “Caminho de dores”, “o Caminho de Sofrimento” ou “O Caminho da Dor”. De acordo com a tradição, voltando para a época de Ricoldus de Monte Cristus em 1288, a Via Dolorosa é a rota que Jesus percorreu do local de Julgamento de Pilatos, onde Jesus foi condenado, à Golgota, o local da execução (ver Mateus 27:31-33; Marcos 15:20-22; Lucas 23:26-33 e João 19:16-17). Durante os séculos subseqüentes, as Estações da Cruz emergiu, supostamente marcando o local específico onde os eventos na ultima caminhada de Jesus aconteceu, incluindo o local onde Simão, o Cirineu, começou a carregar a cruz, onde o rosto de Jesus foi limpado por Verônica, e onde ele caiu a terceira vez. Alguns desses eventos, entretanto, como as três quedas e onde Verônica lhe limpou a face, vem de fontes não canônicas – lendas que não são enraizadas às narrativas do Evangelho.

Eventualmente, quatorze estações foram firmemente estabelecidas na via. Sete estações são encontradas na parte islâmica da cidade; duas são encontradas na parte Cristã, mas ao lado de fora da Igreja do Santo Sepulcro; e os últimos sendo encontrados dentro dos muros da Igreja do Santo Sepulcro. Arqueólogos e historiadores universalmente rejeitam a rota ao traçar a verdadeira rota de Jesus. A maioria concorda que Jesus foi julgado por Pilatos no Grande Palácio de Herodes, localizado na parte oeste da cidade, e não no Forte Antonia, localizado na parte leste da cidade, o local onde a primeira estação da cruz está localizada na Via Dolorosa. Adicionalmente, o caminho antigo fica muito distante abaixo do nível atual da Antiga Cidade e foi localizado em uma parte diferente da cidade. Não obstante, muitos peregrinos continuam a caminhar pela Via Dolorosa para provar uma oportunidade de contemplar a ultima caminhada de Jesus na Terra como o Messias.

Quem matou Jesus?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Os Evangelhos provêem um depoimento detalhado das últimas vinte e quatro horas de Jesus, incluindo sua execução (ver Mateus 26-27, Marcos 14-15, Lucas 22-23 e João 18-20). Estudiosos praticamente entram em acordo em suas interpretações que os Evangelho Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), indicam que um pelotão Romano de execução matou Jesus na época da Pascoa em Jerusalém, em alguma época por volta de 30 D.C. Entretanto, os autores dos Evangelhos enfatizam uma conspiração para aprisionar Jesus que incluíam alguns líderes Judeus em Jerusalém (Mateus 26:3-4); por fim, um dos próprios discípulos de Jesus, Judas Iscariotes (ver Mateus 26:14-16); e Pôncio Pilates, governador romano. O Novo Testamento contem referencias adicionais aos envolvimentos de Pilates (ver Atos 3:13; 4:27; 13:28 e 1 Timóteo 6:13).

Começando com seu aprisionamento no Getsemane, os Evangelhos falam como Jesus foi passado para vários partidos e finalmente entregue para aqueles que o entregaram fisicamente para a morte.

Da metade da Idade Media, Cristãos Europeus, agora virtualmente cem por cento não judeus, começaram a endiabrar todos os Judeus, do passado e do presente, pela morte de Jesus ao focarem em poucas passagens em particular no Novo Testamento que eles lêem como anti-Judeus, para não dizer anti-semitico. Estes interpretadores aparentemente esqueceram que Jesus era um Judeu assim como todos os seus discípulos. O texto do Novo Testamento, diferentes dos retratos e do cinema, revela uma responsabilidade complexa para Jesus por seu próprio povo e sua missão; alguns acreditavam que ele era o Messias a tanto tempo prometido, outros o aceitavam como um homem santo, um profeta, curador e mestre. Alguns eram ambivalentes às suas mensagens e poucos eram abertamente hostis. Entretanto, esse grupo pequeno, embora poderoso, estava frequentemente com medo do “povo” (Mateus 26:5), sugerindo que os Judeus vivendo na Palestina eram, pelo menos, simpatizantes por Jesus. Outros Judeus, vivendo na bacia do Mediterrâneo e no Oeste Próximo, obviamente tinham pouco conhecimento, se tinham algum, de suas atividades e dos eventos a cerca de seu aprisionamento e execução até bem depois dos eventos.

Parece que nenhum grupo ou pessoa foi solene e completamente responsável pela morte de Jesus, mas que muitos indivíduos e vários grupos estava envolvidos neste terrível evento no fatídico Passover (páscoa), que terminou com a crucificação cruel de Jesus de Nazaré.

“Após a entrada messiânica em Jerusalém pouco antes do Pesah em 30 D.C., ele foi aprisionado como um revolucionário em potencial e executado (pela crucificação) por ordem do Procurador de Roma, Poncio Pilatos, provavelmente por investigação dos círculos Judeus que temiam as reações romanas às agitações messiânicas” (R. J. Zwi Weblowsky and Geoffrey Widoder, eds. , The Oxford Dictionary of the Jewish Religion (New York: Oxford University Press, 1997), p. 368).

“É de algum modo presumido que mesmo que ‘os Judeus’ tenham matado Jesus (como descrito no evangelho de João), isso deve ter sido uma coisa boa, uma vez que isso tenha levado à ressurreição. Mas mesmo que qualquer efeito seja bom ou ruim, a responsabilidade pelas causas da crucificação precisa ser avaliada honestamente. Mais ainda, possam os Católicos II Pós-Vaticanos e os Protestantes liberais entender ‘os Judeus’ no contexto ‘todos nós’. Como veremos abaixo, há uma verdade profunda na interpretação da responsabilidade corporativa, mas ela jamais pode desculpar encarnar uma responsabilidade tão universal em qualquer grupo especifico, e certamente não nos ‘Judeus’” (John Dominic Crossan, Professor emérito da Universidade DePaul, um membro fundador do Seminário Jesus).