Archive for the ‘Jesus Cristo’ Category

Jesus nasceu no dia de Natal?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Todos os quatro evangelhos concordam que Jesus nasceu antes da morte de Herodes, o Grande (morto em 13 de maço de 4 A.C.) e morreu quando Pôncio Pilatos era o governador da Judéia (26-36 D.C.). O desafio encontrado em qualquer reconstrução da vida de Jesus, o tempo de duração quase exato de trinta e quatro anos, é permitir tempo suficiente antes da morte de Herodes para os acontecimentos da infância de Jesus acontecer enquanto ao mesmo tempo ter uma data de falecimento na sexta antes da Páscoa (Mateus, Marcos e Lucas) ou o dia da Páscoa (João).

Historicamente, estudiosos assumiram que os Cristãos assimilaram suas celebrações do nascimento de Cristo ou na celebração do festival de inverno romano de Saturnalia, o dia de natal do sol Invictus (o sol invicto) no solstício de inverno, ou o nascimento do deus ocidental Mithras, cujo aniversário era celebrado no dia 25 de dezembro. Por séculos, estudiosos sugeriram que os pagãos que se converteram ao Cristianismo eram relutantes em deixar para trás suas antigas tradições e práticas e subsequentemente adaptaram ou até mesmo inventaram a data para a celebração do aniversario de Cristo para corresponder com as antigas celebrações pagãs.

As primeiras listas de celebrações Cristãs dadas pelo líderes da Igreja Irineu (130-200 D.C.), Tertuliano (160-225 D.C.) não mencionam a data do nascimento de Cristo, e Origen (185-254 D.C.) desacredita aqueles que colocavam ênfase em calcular a data de nascimento de Cristo. No segundo século, Clemente de Alexandria ( 150-215 D.C.) referiu aos Cristãos Egípcios que celebraram o nascimento de Cristo no fim de maio e outros que eram seguidores dos Basilides que celebraram o nascimento de Jesus no dia 6 de janeiro (Stromateis 1.21).

A tradição de celebrar o nascimento de Jesus em janeiro parece ser bastante antiga. Os Cristãos Ortodoxos Ocidentais tem celebrado a data do batismo de Cristo, chamada de epifane, no dia 6 ou 10 de janeiro desde o primeiro século, e embora a data do Epifane nunca foi realmente disputada, alguns outros Cristãos dos séculos posteriores confundiram a data do Epifane com a data do nascimento de Jesus.

Alguns manuscritos antigos contem leituras erradas em Lucas 3:22 que podem explicar, em partes, a confusão das duas datas. Essa versão de Lucas 3 cita o Pai dizendo a Cristo “És meu Filho amado; neste dia te gerei”, o que indica que alguns dos primeiros Cristãos que era a data do batismo de Jesus (6 ou 10 de janeiro) era também a data do seu nascimento. Essa celebração da data do nascimento de Jesus no início de janeiro e uma celebração de seu nascimento em meados de janeiro têm clamores iguais de ser a primeira data celebrada pelos Cristãos. Por razões desconhecidas, as celebrações de primavera (no hemisfério norte de final de março a final de maio) nunca obtiveram êxito no Cristianismo popular.

A mudança da celebração do nascimento de Jesus de janeiro para 25 de dezembro pode ser traçado apenas após o quarto século D.C. O que forçou a mudança da celebração de janeiro para dezembro é desconhecida atualmente, mas ela se tornou uma prática predominante entre todos os Cristãos, tanto no ocidente quanto no oriente, por volta de 350 D.C. Portanto, as primeiras celebrações do nascimento de Jesus pode ter sido uma celebração de inverno em janeiro – mas quase certo é que não foi originalmente no dia 25 de dezembro.

Podemos confiar nas histórias apócrifas da infância de Jesus?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Os interesses dos Cristãos interpretam o nascimento e infância de Jesus era surpreendentemente apenas uma preocupação periférica para os escritores do Novo Testamento. Apenas Mateus e Lucas registraram alguns detalhes do nascimento de Jesus, enquanto Marcos, João e Paulo, e outros não comentaram qualquer coisa sobre esse período da vida de Jesus. Uma das características chaves dos primeiros registros feitos por eles são da tradição de testemunhas oculares; portanto, os eventos que foram testemunhados pelos discípulos ou outros são os que foram registrados pelos evangelistas. Apenas em um número muito limitado de exemplos dos interesses dos Evangelhos em outros eventos parece ter sido desenvolvido apenas no segundo século, atestado em parte pelo fato que os primeiros Cristãos celebravam a data do batismo de Jesus (6 de janeiro) antes de celebrar a data do seu nascimento. Entretanto, do segundo século em diante, autores Cristãos começaram a reportar os relatos dos atos e comportamentos lendários de Jesus que de outra forma seriam desconhecidos, uma vez que não estavam relatados no Novo Testamento. Esses relatos apócrifos tiveram sucesso no segundo século em diante porque eles foram construídos em uma fundação canônica muito bem conhecida que poderia ser emprestada; eles também alimentaram um interesse em conhecer mais do que os registros relatados publicamente.

Os escritos a seguir representam habilmente o tenor da improbabilidade das narrativas da infância: “Agora depois de alguns dias Jesus estava brincando no telhado em uma andar superior, e uma das crianças que estava brincando com ele caiu do telhado e morreu. E quando as outras crianças viram elas fugiram e Jesus permaneceu sozinho. E os pais do menino que havia morrido vieram e acusaram Jesus de tê-lo empurrado para baixo. E Jesus respondeu: ‘Eu não o empurrei’. Mas eles continuaram a acusá-lo. Jesus, então, pulou para baixo do telhado e se colocou ao lado do corpo da criança, e clamou em voz alta: ‘Zenon’ –pois esse era o seu nome – ‘Levante e me diga, eu lhe empurrei?’ e a criança se levantou imediatamente e disse: ‘Não, Senhor, você não me empurrou, mas me elevou’” (A História da Infância de Thomas 9:1-3, traduzida para o Ingles por Oscar Cullman, em Novo Testamento Apócrifa 1:446).

Quais escrituras Jesus conhecia?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

As escrituras judaicas (a Bíblia Hebraica ou Velho Testamento) não haviam sido finalizadas em sua forma atual até o fim do período do Novo Testamento, cerca de 90 d.C. Antes dessa época, vários grupos ou seitas judaicas possuíam diferentes pontos de vistas sobre os quais os escritos Judeus eram autoritários. Virtualmente, todos os grupos aceitavam os cinco livros de Moisés, conhecidos como A Lei (Torah). Entretanto, os Fariseus, diferentes dos Saduceus, também aceitavam os livros que constituem “Os Profetas” e os “Escritos”, sendo estes os livros de Ester, os Salmos, e Jó. Jesus se refere à essas três divisões – Lei, Profetas e Salmos – durante uma aparição pós-ressurreição (ver Lucas 24:44).

Fora de Jerusalém, Os Judeus que falam grego Diáspora lêem suas escrituras sagradas em tradução. O septuaginto, uma tradução grega da bíblia hebraica, eventualmente teve um papel muito mais significante na primeira igreja Cristã que teve no judaísmo. Ele contém mais material do que é encontrado nos textos hebraicos. O material tradicional encontrado na Bíblia Grega, mas não na Bíblia Hebraica, é agora encontrado na Apócrifa.

A descoberta dos Escritos do Mar Morto, começando em 1947, deu a estudiosos uma rara oportunidade de estudar o processo de transmissão e seleção dos escritos Judeus que eventualmente foram colocados na Bíblia Hebraica. Adicionalmente, os escritos incluíam uma variedade de outros documentos, indicando que a duração desse período de criatividade, o cânone Hebreu ainda estava aberto, pelo menos para alguns grupos Judeus.

Existem outros textos antigos que podem nos ajudar a entender o que Jesus fez e disse?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Um número crescente de estudiosos está defendendo que substituímos os Evangelhos do Novo Testamento com alguns textos recentemente descobertos da antiguidade, primariamente os Códigos Nag Hammadi descobertos no Egito em 1945. Eles argumentam que estes textos pré-datam os Evangelhos canônicos. A descoberta dos textos do Egito é importante porque eles provêm uma janela sobre o mundo do segundo e terceiro séculos d.C.

Ainda que os textos canônicos sejam nossa primeira fonte para o estudo do Cristianismo no primeiro século, alguns estudiosos têm defendido datas anteriores para alguns destes textos recém descobertos. Se, por exemplo, algum texto do Nag Hammadi tiver uma data anterior aos nossos textos canônicos, então poderíamos reescrever a história do Cristianismo de uma outra perspectiva – a perspectiva do Cristianismo Gnostico. O clamor de que um certo texto promete reescrever o Cristianismo é continuamente usado como um ponto de venda para muitas destas descobertas textuais.

Surpreendentemente, alguns textos no próprio Novo Testamento – as cartas pastorais (1 e 2 Timóteo e Tito) e as epístolas de João – foram julgados como falsificações Cristãs recentes, porque eles denunciam o Gnosticismo. Os estudiosos já tem reconhecido a muito tempo que o gnosticismo é uma heresia Cristã que começou no final da metade do primeiro século, e ainda assim, quando novas descobertas textuais escritas por Cristãos gnosticos aparecem, parece haver um empurrão geral para data-las com datas anteriores aos de nossas escrituras canônicas. Se as epístolas pastorais e as epístolas de João são amplamente reconhecidas como textos escritos depois que os Evangelhos porque eles tratam do assunto do gnosticismo, então, da mesma forma, os textos gnosticos devem ter aproximadamente a mesma data.

A verdadeira pergunta que estes textos devem encorajar é se os Cristãos Gnosticos eram maioria no fim do primeiro século ou se a proliferação dos textos gnosticos é uma testemunha da popularidade regional daquele movimento em certas áreas do império, tais como o Egito. Dezenas e dezenas de textos gnosticos foram identificados; para cada texto canônico existem pelo menos três ou quatro texto gnostico. O volume de textos testifica a popularidade do movimento.

Mas o volume de textos não nos provê evidências sobre quando eles começaram a ser escrito. Eles são amplamente conhecidos como documentos do final do primeiro século, e mesmo quando um documento é datado como se fosse mais antigo, há uma nova data posterior para os documentos gnosticos. Em outras palavras, ainda que os documentos sejam datados como mais antigos, eles contém informações que provam que eles são mais recentes. Por exemplo, o Evangelho de Tomé pode conter alguns elementos da década anterior a 70 D.C, mas a maioria dele vem do final do primeiro século.

A mesma declaração não é verdadeira para os Evangelhos. Eles possuem materiais datados mais antigos e também materiais do final do primeiro século, mas o tempo que é coberto não é tão amplo quanto os materiais não canônicos. O evangelho de Mateus, por exemplo, contém materiais que voltam diretamente para o tempo de Jesus Cristo, enquanto algumas informações, tais como as narrativas e genealogia escritas por Mateus foram feitas posteriormente, por volta de 70 d.C. Portanto, o ultimo material do Evangelho de Mateus é semelhante em tempo ao primeiro material do Evangelho de Tomé. Os Evangelhos e epístolas do Novo Testamento são as fontes mais antigas do que Jesus fez e disse.

O que o Novo Testamento fala sobre o nascimento de Jesus?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Dos quatro evangelhos, apenas Mateus e Lucas fazem um relato da concepção e nascimento de Jesus. Escritos de duas perspectivas diferentes e contendo detalhes diferentes, essas duas narrativas completam uma a outra e juntas formam um importante fato do nascimento, incluindo que o nome da mãe de Jesus era Maria, que ela viveu em época em Nazaré, que ele nasceria perto de Jerusalém e que sua concepção foi um milagre divino.

Embora Mateus testifique que Maria concedeu pelo poder de Deus, ele enfatiza que Jesus era filho de David por genealogia no começo da narrativa do nascimento e por seu foco no papel de José, responsável por Jesus. Através de sonhos, José recebeu instruções de casar com Maria, aceitar o nome Jesus para a criança e de se mudar com a família quando ameaçado por Herodes e então por seu filho, Arquelau. Através do uso de citações do Velho Testamento, Mateus demonstra ainda como o nascimento de Jesus cumpriu as profecias messiânicas.

Os registros de Lucas, por outro lado, frequentemente ilustravam a perspectiva de Maria e incluía mais informações pessoas e da família. Ao contar a anunciação, ele preserva as instruções angelicais que Maria recebeu, e a sua visita a Elizabete provendo para ambas a confirmação espiritual concernente aos papeis que seus filhos cumpririam. Adicionalmente aos detalhes da noite do nascimento de Jesus, a narrativa de Lucas também inclui registros de quando nomearam Jesus e de sua circuncisão, sua apresentação no templo e seus ensinamentos no templo quando tinha doze anos.

Alguns dos aspectos dessas duas narrativas que os contos de natal tradicionais harmonizam frequentemente provêm detalhes interessantes quando lidos separadamente. Mateus não dá qualquer indicação que José seja de Nazaré, talvez sugerindo que ele ou sua família fossem de Belém, ou que possuíam propriedades lá, o lar tradicional do Rei Davi, ou que Maria fosse de Belém, talvez que possuísse propriedades lá. Nos registros de Lucas, quando José leva Maria para Belém logo após o seu casamento, suas acomodações parecem improvisadas. Interessante que a palavra Katalyma, tradicionalmente traduzido como “pousada” e frequentemente interpretado como uma caravana ou acampamento, pode também significar “quarto de hóspedes” (a segunda vez que Lucas usa essa palavra é para o que foi traduzido como cenáculo (ou quarto superior) da Ultima Ceia em Lucas 22:11-12). Os registros de Lucas falam sobre anjos e pastores, que encontram a criança na tão conhecida manjedoura, enquanto os registros de Mateus relata sobre os Magos chegando algum tempo após o nascimento, e eles encontram a família vivendo em uma casa.

José parece ter tido a intenção de ficar com a família em Belém, partindo apenas quando alertado que Herodes queria matar a criança. A morte de Herodes em 4 D.C.ajuda a datar os acontecimentos, pois foi nesta época que Jose trouxe sua família de volta do Egito para Nazaré. Encontrando o filho instável de Herodes, Arquelau, governando a Judéia, José é novamente alertado em um sonho, decide levar a família então para Nazaré, o qual parece ser a casa de Maria. Seu temor era justificado, no ano 6 D.C. os Romanos depuseram Arquelau para a investigação dos próprios Judeus por causa de sua violência e mau governo. Este também foi o ano em que P. Sulpicius Quirinus, ou “Cirenio” começou seu governo na Síria. Embora o ano 6 D.C. é a data que Lucas parece ter dado para o nascimento de Jesus, historicamente é o ano em que a Judéia se tornou uma província.

O que é o Messias?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Leitores modernos são geralmente familiarizados com o termo Messias tanto em Hebreu, que literalmente significa Messias, quanto em Grego, que significa Cristo. Ambos os termos significam “Ungido” e podem ser usados geralmente no mesmo sentido, tal como em sacrifício que é ungido antes de ser oferecido, e em um sentido técnico para se referir a alguém que continuará e cumprirá seu papel como Messias.

Geralmente, os Cristãos na era moderna pensam no Messias como uma pessoa distinta, Jesus Cristo, e falam do Messias alguém que já viveu. Essa definição especifica e refinada do Messias tem encorajado os estudiosos Cristãos a olhar para a história de Jesus e falar o que os Judeus do primeiro século esperavam em seu Messias, como se suas expectativas fossem paralelas ao que os Cristãos modernos pensam sobre o Messias. Esse processo frequentemente leva os leitores modernos a falar que os Judeus perderam seu Messias, em parte enfatizando que eles estavam procurando o tipo errado de Messias.

Olhando para o mesmo assunto de uma perspectiva Judaica faz com que cheguemos a conclusões totalmente diferentes. Primeiro, no primeiro século d.C. não há uma clara evidência sobrevivente de que os Judeus pensavam que o Messias era uma pessoa divina: ao contrário, eles pensavam em pessoas como Ciro da Pérsia como um messias que livraria o povo judeu do cativeiro da Babilônia (Daniel 9:25-26). Outras pessoas, que eram ungidas pelo Senhor para libertar Israel podem ser consideradas Messias. Segundo, alguns grupos Judeus como os que escreveram o famoso “Escritos do Mar Morto” esperavam dois messias, cada um com papeis diferentes a cumprir. Um dos papeis de um dos messias da comunidade dos Escritos do Mar Morto era guiar os membros para uma guerra contra a opressão estrangeira, e assim redimir Israel. Finalmente, a subjugação da Judéia e Galiléia, primeiro pelas regras Seleucidas na era pós Alexandre e eventualmente pelos ocupantes Romanos da Terra que o Senhor no último século a.C. enfatizavam a expectativa judaica de que o Senhor enviaria um messias que livraria o povo do Senhor da opressão. Aqueles que esperavam esse libertador parecem estar pensando em alguém como Josué, Ciro, Zerubabel, e mais tarde Simão.

Hoje em dia os Judeus estão divididos com relação ao papel que o messias terá. Alguns, como os Judeus ortodoxos, esperam um futuro messias redentor que ajudará Israel a ganhar novamente sua antiga glória. Outros, como os judeus reformados, vêem aqueles que ajudam os Judeus, tanto nacionalmente quanto individualmente, como messias. Devido a suas contribuições em ajudar os Judeus, esses indivíduos podem ser considerados messias.

Os Cristãos, por outro lado, pensam no retorno do Messias, e eles interpretam este retorno de maneira específica. O retorno do Messias é frequentemente descrito usando termologia apocalíptica e a vinda do Messias iniciará uma era na qual a justiça sobrepujará o domínio opressivo dos reinos do mundo e estabelece um novo reino Messiânico. O Messias retornará a Terra como um Salvador, embora o retorno acontecerá com o Salvador descendo dos céus ao invés de um nascimento, como na primeira vinda. Especificamente, muitos Cristãos esperam um tempo quando o Messias voltará a Terra e aparecerá em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, onde ele partirá o monte ao meio e salvará Israel de seus inimigos (Zacarias 14:1-7).