Archive for the ‘Vida Mortal de Jesus’ Category

Jesus foi humano de alguma forma?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Marcos, mais do que qualquer outro escritor, preserva a humanidade de Jesus nas Narrativas da Paixão. Sua oração no Getsemane pode ser usada como exemplo: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice” (Marcos 14:36). Em sua narrativa, Marcos informa aos que estão ouvindo a história de que Jesus precisava dormir, comer, ficar sozinho e, certamente, orar – fazer essas coisas é algo humano.

Se as histórias contadas por Marcos forem baseadas nas memórias de Pedro, podemos estar vendo uma palavra – uma gravura baseada nas próprias coleções de Pedro. Se assim for, podemos apreciar a franqueza retratada e apresentada aqui, a qual é particularmente crítica com o próprio Pedro. Deve ser lembrado que o verdadeiro nome de Pedro é Simão. Jesus lhe deu o nome de Pedro (do grego ou latim) ou Cefas (em hebraico ou aramaico), o qual significa pedra ou rocha. Em Marcos, Pedro sempre é sempre chamado pelo nome que Jesus lhe deu até esse ponto, onde Jesus diz: “Simão, dormes?” (Marcos 14:37, ênfase adicionada). Talvez o fato de Jesus usar Simão ao invés de Pedro, e significante, revelando que Pedro ainda não tinha se tornado “a rocha”.

Marcos retrata a agonia de Jesus no Getsemane de maneira clara e em uma linguagem comovente. Jesus é o Filho de Deus, ainda assim ele recebe o desejo humano de viver, de evitar o sofrimento e a morte. O nome que Jesus usa ao clamar a Deus é Aba (Pai), exaltando a emoção dessa cena trágica. Uma outra tradução da Bíblia toca no assunto de maneiras diferentes, o qual nos ajuda não apenas sentir o que a escritura diz, mas também a entendê-la melhor: “E tomou consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, e começou a ter pavor, e a angustiar-se. E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra; e orou para que, se fosse possível, passasse dele àquela hora. E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:33-36).

Jesus nasceu no dia de Natal?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Todos os quatro evangelhos concordam que Jesus nasceu antes da morte de Herodes, o Grande (morto em 13 de maço de 4 A.C.) e morreu quando Pôncio Pilatos era o governador da Judéia (26-36 D.C.). O desafio encontrado em qualquer reconstrução da vida de Jesus, o tempo de duração quase exato de trinta e quatro anos, é permitir tempo suficiente antes da morte de Herodes para os acontecimentos da infância de Jesus acontecer enquanto ao mesmo tempo ter uma data de falecimento na sexta antes da Páscoa (Mateus, Marcos e Lucas) ou o dia da Páscoa (João).

Historicamente, estudiosos assumiram que os Cristãos assimilaram suas celebrações do nascimento de Cristo ou na celebração do festival de inverno romano de Saturnalia, o dia de natal do sol Invictus (o sol invicto) no solstício de inverno, ou o nascimento do deus ocidental Mithras, cujo aniversário era celebrado no dia 25 de dezembro. Por séculos, estudiosos sugeriram que os pagãos que se converteram ao Cristianismo eram relutantes em deixar para trás suas antigas tradições e práticas e subsequentemente adaptaram ou até mesmo inventaram a data para a celebração do aniversario de Cristo para corresponder com as antigas celebrações pagãs.

As primeiras listas de celebrações Cristãs dadas pelo líderes da Igreja Irineu (130-200 D.C.), Tertuliano (160-225 D.C.) não mencionam a data do nascimento de Cristo, e Origen (185-254 D.C.) desacredita aqueles que colocavam ênfase em calcular a data de nascimento de Cristo. No segundo século, Clemente de Alexandria ( 150-215 D.C.) referiu aos Cristãos Egípcios que celebraram o nascimento de Cristo no fim de maio e outros que eram seguidores dos Basilides que celebraram o nascimento de Jesus no dia 6 de janeiro (Stromateis 1.21).

A tradição de celebrar o nascimento de Jesus em janeiro parece ser bastante antiga. Os Cristãos Ortodoxos Ocidentais tem celebrado a data do batismo de Cristo, chamada de epifane, no dia 6 ou 10 de janeiro desde o primeiro século, e embora a data do Epifane nunca foi realmente disputada, alguns outros Cristãos dos séculos posteriores confundiram a data do Epifane com a data do nascimento de Jesus.

Alguns manuscritos antigos contem leituras erradas em Lucas 3:22 que podem explicar, em partes, a confusão das duas datas. Essa versão de Lucas 3 cita o Pai dizendo a Cristo “És meu Filho amado; neste dia te gerei”, o que indica que alguns dos primeiros Cristãos que era a data do batismo de Jesus (6 ou 10 de janeiro) era também a data do seu nascimento. Essa celebração da data do nascimento de Jesus no início de janeiro e uma celebração de seu nascimento em meados de janeiro têm clamores iguais de ser a primeira data celebrada pelos Cristãos. Por razões desconhecidas, as celebrações de primavera (no hemisfério norte de final de março a final de maio) nunca obtiveram êxito no Cristianismo popular.

A mudança da celebração do nascimento de Jesus de janeiro para 25 de dezembro pode ser traçado apenas após o quarto século D.C. O que forçou a mudança da celebração de janeiro para dezembro é desconhecida atualmente, mas ela se tornou uma prática predominante entre todos os Cristãos, tanto no ocidente quanto no oriente, por volta de 350 D.C. Portanto, as primeiras celebrações do nascimento de Jesus pode ter sido uma celebração de inverno em janeiro – mas quase certo é que não foi originalmente no dia 25 de dezembro.

Jesus era um carpinteiro?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

No evangelho de Marcos, Jesus é identificado como um tekt?n, geralmente traduzido como “carpinteiro” em muitas das versões do Novo Testamento (Marcos 6:3). Em Mateus, José é também identificado da mesma maneira (Mateus 13:55). Não era incomum um filho ou dependente seguir a profissão de seu pai ou guardião, então não é surpresa que José e Jesus são identificados com a mesma profissão nos Evangelhos. As pessoas eram costumeiramente identificadas por suas profissões (ver Atos 10:5).

Tekt?n tem sido interpretado de várias maneiras desde a época do Novo Testamento, incluindo termos aceitáveis como “carpinteiro” ou “construtor”. José e Jesus podem ter sido construtores de móveis para casa ou ter trabalhado em construções de casa, especificamente com madeiras. Outras tradições descrevem sua profissão como “construtor de arados e jugos” para bois (Didache 88:8). Uma outra tradição prefere interpretar a palavra carpinteiro como construtor de casas (Evangelho de Tiago 9:3). Alguns estudiosos modernos dizem que tekt?n pode significar pedreiro. Em uma pequena vila como Nazaré, podemos esperar que Jesus e José tenham usado seus talentos de várias maneiras, incluindo trabalhar com madeira e pedras.

Quais são as primeiras fontes sobre a Vida de Jesus?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

O Novo Testamento contém as primeiras fontes de informação sobre Jesus de Nazaré. Alguns desses materiais, tais como as cartas de Pedro, foram escritas aproximadamente 48 a 49 D.C. e um pouco depois destas datas (Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses e 1 e 2 Coríntios). Os Evangelhos começaram a circular por volta do ano 60 d.C. Virtualmente todos os estudiosos concordam que o Novo Testamento contem materiais que são diretamente da época de Jesus de Nazaré. Um número significativo de atividades estudiosas é focado em isolar os materiais substratos que formam a base das narrativas dos Evangelhos, incluindo registros de testemunhas oculares, e fontes orais tradicionais e até mesmo escritas. Nenhuma outra fonte do primeiro ou segundo século d.C. provêem materiais que podem ser usados com segurança que o Novo Testamento provê ao reconstruir a vida e ministério de Jesus.

Bart D. Ehrman, Professor distinto de Estudos Religiosos na Universidade da Carolina do Norte, declarou:

“Isto significa que se historiadores querem conhecer o que Jesus disse é fez eles são constrangidos a usar mais ou menos os Evangelhos do Novo Testamento como sua principal fonte de pesquisa. Deixe-me enfatizar que isso não é por razões religiosas ou teológicas – por exemplo, que esses, e somente esses são confiáveis. É por razões históricas, pura e simples. Jesus é raramente mencionado por fontes não Cristãs por mais de um século após a sua morte, e os outros autores do Novo Testamento estão mais concentrados com outros assuntos. Os Evangelhos fora do Novo Testamento tendem a ser mais tardio e legendário, de interesse considerável (…), mas de pouco uso para os interesses dos historiadores em saber o que aconteceu durante a vida de Jesus…. A única fonte real disponível para os interesses de historiadores sobre a vida de Jesus são, portanto, os Evangelhos do Novo Testamento” (EHRMAN, Bart D. , O Novo Testamento: Uma Introdução Histórica aos Escritos dos Primeiros Cristãos, 4 ed. (Nova York: Oxford University Press, 2008), 229).

O que sabemos sobre a juventude de Jesus?

quinta-feira, fevereiro 21st, 2008

Os Evangelhos registram muito pouco sobre a vida de Jesus entre o seu nascimento e o seu batismo. Mateus declara que na época em que os Reis Magos apareceram em Belém, após o seu nascimento, Jesus não era mais um bebezinho, mas uma criança, sugerindo que José, Maria e Jesus viveram na cidade do seu nascimento por um tempo, talvez algo em torno de dois anos. Na versão King James da Bíblia em inglês, podemos ler: “E quando eles entraram na casa, eles viram a jovem criança com Maria sua mãe, e se ajoelhara, e o adoraram” (Mateus 2:11, ênfase adicionada, tradução independente). Mateus continua sua história como se Jose tivesse levado Maria e a “jovem criança” para o Egito (Mateus 2:13-14). Tanto Mateus quando Lucas concordam que em algum momento José, Maria e Jesus eventualmente se mudaram para Nazaré enquanto Jesus era ainda bem jovem (ver Mateus 2:19-23; Lucas 2:39-40). A única dica sobre estes intervalos de ano, até Jesus começar seu ministério, é um breve relato sobre a viajem de Jesus a Jerusalém quando ele tinha doze anos. Lucas escreveu: “Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da páscoa; E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa. E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia, e procuravam-no entre os parentes e conhecidos; E , como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele. E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas. E quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, pro que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia. E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no seu coração todas estas coisas. E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.” (Lucas 2:41-52). Lucas continua sua história nos informando sobre a aparição de Jesus no Rio Jordão, quando ele tinha “quase trinta anos” (Lucas 3:23). Podemos apenas presumir que durante o período entre seu nascimento em Belém e sua juventude em Nazaré, Jesus viveu uma vida baste tranqüila como muitos outros jovens Judeus viviam e em circunstancias semelhantes.

Bem Witherington III, professor do Novo Testamento no Seminário Teológico Asbury em Wilmore, Kentucky, disse:

“Desta história singular podemos tirar poucas conclusões limitadas. A infância de Jesus parece ter sido em muitos aspectos semelhantes as de outras crianças de Judeus dedicados – um período de treinamento, crescimento, desenvolvimento e aprendizagem, especialmente sobre fé. O elemento verdadeiramente memorável na história não é uma revelação que Jesus faz milagres, mas que Jesus tem um conhecimento extraordinário do relacionamento com Deus, algo que deixava perplexo seus pais e professores. Este é um ponto importante, pois é esse relacionamento especial e íntimo com o Pai que vem á luz em momentos críticos de Jesus; a vida adulta (batismo, transfiguração, o jardim do Getsemane, na cruz)” (WITHERINGTON III, Ben, Historias do Novo Testamento: Um Registro Narrativo (Grand Rapids: Academia Baker, 2001), 92).